7 de mai de 2011

O brasileiro que desafia a Kaspersky.


João, da AV Ware:
 Um dos mercados mais disputados do mundo da tecnologia é o de antivírus. O setor oferece produtos de vários tipos e preços. Não só isso: as desenvolvedoras de produtos de segurança sofrem para conquistar clientes e, ainda, com a pirataria desenfreada. Apesar das perspectivas sombrias, um brasileiro, com um sonho, resolveu encarar os desafios desse complexo mercado e peitar empresas como Symantec (Norton), Kaspersky e McAfee.
O nome dele é João Eduardo, um especialista em sistemas de computadores e professor de análise e desenvolvimento de sistemas. João sempre teve vontade de desenvolver e construir um antivírus totalmente nacional. E, neste ano, ele conseguiu alcançá-lo ao estrear no mercado o AV Ware, um antivírus que ele chama de central de segurança por reunir, num único aplicativo, proteção contra vírus e pragas digitais que roubam dados do computador.
João começou a sonhar com a construção do AV Ware em 2005, logo após sair de uma empresa coreana de software que mantinha em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas um laboratório de análises de vírus de computador. Neste local, ele passava o dia estudando o comportamento das pragas digitais do mundo inteiro. “Eu tive, então, a chance de aprender muito sobre o funcionamento dos vírus e, principalmente, como os vírus variam de um país para outro”, diz.
Ele, no entanto, tinha um problema: “Eu sabia perfeitamente como funcionava um antivírus, mas não sabia programá-lo” Então, João contou sua história em fóruns de internet e falou do sonho de desenvolver um antivírus nacional. Ele teve várias respostas positivas e uma delas foi de Bruno Martins, atual sócio de João e também mentor do AV Ware.
Depois de alguns e-mails e encontros, os dois começaram resolveram desenvolver o programa nos momentos livres. “A ideia era ir desenvolvendo e aprendendo com o tempo gasto com o programa”, afirma João. Eles construíram várias versões do antivírus e elas eram distribuídas para alguns amigos testar. “O programa tinha muito problema, não funcionava direito e podia deixar os PCs desprotegidos”, explica Bruno.
Mas com o passar do tempo, o AV Ware foi ganhando maturidade e elogios em fóruns, além de ficar conhecido por alguns entusiastas de tecnologia. Um deles, que se interessou pelo programa, foi Jefferson Penteado, CEO e criador da BluePex, uma empresa especializada em segurança. “Ele nos procurou, na metade de 2007, para saber mais sobre o antivírus”, explicou.
Jefferson, diz João, gosta de apostar em inovações para a área de segurança; e os encontros, portanto, serviram para o CEO da BluePex conhecer a ferramenta e até opinar sobre ela. “Jefferson entende dessa coisa de vírus. Em meados de 90, ele desenvolvia vacinas e as vendia para os poucos brasileiros que tinham computadores. Ele até anunciava a solução em jornais”, explica João.
Depois desse encontro, João e Bruno se animaram e começaram a trabalhar mais na ferramenta para deixá-la adequada para uso. Na metade de 2009, eles estavam com o antivírus estável e quase pronto. Para lançá-lo, faltava apenas um apoio financeiro para colocá-lo no mercado e, claro, enfrentar os grandes. “Não tive dúvidas e procurei o Jefferson”, conta.  Em fevereiro de 2010, eles assinaram um contrato de parceria.
Concorrência
Após o acordo, João e Bruno começaram a usar a estrutura de desenvolvimento da BluePex e a se dedicar exclusivamente para o desenvolvimento final do AV Ware. Durante o ano de 2010, eles praticamente reescreveram o antivírus e o submeteram a vários testes pesados.
As mudanças no programa tinham um motivo. O AV Ware precisava ficar totalmente estável para ser apresentado ao mercado e, também, adaptado para outras soluções da BluePex. Além disso, diz João, ele tinha de ficar com um desempenho similar ou superior aos demais antivírus do mercado. “O software funcionava bem, mas em alguns momentos ele encontrava vírus onde não tinha, ou seja, dava o famoso falso-positivo”, explica.
Apesar de ter uma estrutura pequena, quando comparada às grandes empresas como Norton e McAfee, João e Bruno não têm medo das grandes empresas: “Claro, a gente tem uma estrutura pequena, mas o produto é bom. E é isso é o que importa para a gente crescer no mercado”, diz.
Para isso, inclusive, João vai usar a força dos universitários e técnicos de TI, um público com qual ele e Bruno mantêm bastante contato no dia a dia. “Eu sempre digo a eles do meu sonho realizado. Como eles são formadores de opinião, podem recomendar a solução aos familiares”, conta. Ele também acredita que o software pode ser bem aceito no mercado e incomodar a concorrência por causa do preço, cerca de 50 reais e vendido somente pela internet. “Outra coisa que vai nos ajudar é a força de vendas da BluePex, que começou a oferecer o antivírus para o mercado corporativo’, diz. João, com a ajuda de Bruno e da BluePex, concretizou o sonho do antiírus. Agora ele tem um outro: ver o AV Ware incomodando os grandes antivírus do mercado. A parada é dura.



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